segunda-feira, 17 de junho de 2013

Protestos em SP: inconsistências, contradições

                          Etelma T. de Souza

São Paulo vive uma onda de protestos, legítimos, cuja pauta é o reajuste de valores no transporte público. Porém, vemos inconsistências e contradições tanto por quem está à frente dos protestos quanto por parte do (des)governo do Estado (desse já era de esperar).
Ora, o Estado fala em garantir mobilização democrática, mas põe a tropa de choque na rua... Apenas reviu sua posição após jornalistas terem sido feridos pela PM e isso ter gerado grande repercussão,  inclusive internacional (essa a mais importante para o Estado) pois enquanto eram os protestantes os agredidos, o governo se recusava a mudar de posição. Aliás, veio a público reafirmar que a repressão continuaria.
Como se não bastasse, para aceitar a mobilização, determinou que o movimento estabeleça, ou melhor, combine um roteiro preestabelecido com o governo. Aiaiai, cadê democracia nisso? Se é movimento, se é protesto contra o Estado, como "combinar" regras com o alvo do protesto???
O Estado, com isso, coloca o movimento como refém: "aqui pode, aqui não pode"; "queremos garantir a mobilização, estamos dispostos a tirar a tropa de choque da rua, mas vocês têm que colaborar"; "garantiremos a mobilização, mas se vocês invadirem a Paulista...". Ou seja, tudo de acordo com o conceito de democracia de quem está no poder há 18 anos...
Se é movimento, se é democrático, não tem que combinar regras com o opressor contra quem se luta! Não tem que estabelecer roteiro prévio. Se aceitar fazer isso, então o movimento estará aceitando as regras do Estado e, sendo assim, não tem porque existir. Ou luta contra seu opressor, de acordo com as regras do próprio movimento, ou alia-se àquele, tornando-se assim, ilegítimo.
A rua é nossa! Então ocupemos as ruas para reivindicar e, se o objetivo é esse, então o roteiro deve ser estabelecido apenas pelo movimento e não combinado com o Estado.
Por outro lado, o movimento do passe livre apresenta inconsistência ao afirmar que as mobilizações continuarão enquanto o preço da passagem não baixar.
Oras, é movimento pelo passe livre ou não? Se for, então as mobilizações não devem cessar. Isso mesmo, devem ser permanentes até que se alcance seu objetivo: passe livre.
Ao colocar em pauta o aumento das tarifas e dizer que só irão parar quando o reajuste for revisto, assemelha sua prática a do Estado, procurando fazer deste refém e chantageando-o.
Ou é pelo passe livre ou não é. Se o Estado recuar e baixar os preços, então o movimento pelo passe livre deixará de existir? Não mais fará mobilizações?
Enfim, que reflitamos sobre os acontecimentos recentes e o que está por trás dos mesmos, pois, analisando a conjuntura atual, sabemos que o mais importante nisso tudo é 2014.
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terça-feira, 11 de junho de 2013

Neoliberalismo e instâncias de dominação


Etelma T. de Souza

           
O sistema político liberal possui características fundamentais que lhe dá sustentação. Uma dessas, é a livre iniciativa, focada no indivíduo, na competitividade. A idéia de liberdade, por vezes, confunde-se com a licenciosidade. Prevalece aí a máxima de que devemos adotar o livre mercado em detrimento do Estado, ou seja, a interferência desse deve ser mínima. E, de preferência, apenas no que tange às questões sociais.
O neoliberalismo não visa ao bem comum, mas apenas àqueles que se sobressaem. Foi engendrado a partir da Revolução Industrial, onde a produção tornou-se propriedade de poucos, os quais acumularam capital, do qual tornaram-se donos e, ao mesmo tempo, reféns. Assim, com essa concentração de renda, os conflitos sociais emergem e/ou são acirrados os já existentes.
            Os liberais (e/ou neo-) também se servem dos meios de comunicação para dominar a população. Para esta, é lhes fornecido um mundo de fantasias a fim de que possam ser "anestesiados”, pois assim, conformar-se-ão perante as mazelas e desmandos desse sistema opressor.
Assim, a televisão, por exemplo, que é uma instância de socialização, funciona de acordo com os interesses da classe dominante. Destarte, servindo à opressão, dominação e à "idiotização”. Não instiga ao pensamento crítico e à conscientização (= consciência para ação).
Nessa perspectiva, a moral coletiva que se pretende formar, é a de conformação com a realidade de cada um. Pode-se dizer, até mesmo, de pensamento único. Afinal, o que vemos na tv, nos mais diversos canais, senão um direcionamento ao acirramento de preconceitos.
Isso, ao mostrar apenas um lado da história, sobre um determinado fato ou acontecimento. Ou, às vezes, até mostram-se os dois ou mais lados, porém, a diferença na exibição e forma de tratamento aos mesmos, é outro brutal flagrante da diferenciação entre pessoas, de acordo com os interesses em jogo; de acordo com os envolvidos.
Um dos exemplos mais gritantes é o caso de adolescentes autores de ato infracional que são internados na FEBEM (recuso-me a alterar o nome, visto que as práticas são as mesmas, a ideologia é a mesma, mudaram apenas o nome...). Geralmente, os adolescentes internos são apresentados como os carrascos da história. É óbvio que não poderia ser diferente, afinal, sendo um meio que serve à dominação, não vai mostrar/dizer que é um sistema falido, que só se chegou a isso devido à ausência de políticas públicas, à incompetência do governo, à falência do Estado, etc. é bem mais prático, uma vez mais, responsabilizar os adolescentes por sua condição.
Assim como, propor aliterações numa lei federal que sequer foi implementada (ECA), incentivar o rebaixamento da idade penal, a pena de morte. E é assim que pretensos apresentadores de pretensos noticiários, contribuem maciçamente para a formação de uma moral com base no pensamento único. É desta forma que a população acaba descobrindo, e revelando, o que há de hediondo dentro de si. E é assim, sobretudo, que continua a ser manipulada, dominada.
Nossa época atual lembra muita a dos antigos imperadores, que ofereciam à população pão e circo. Para a nossa sociedade, está faltando o PÃO!...




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